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Bybit Solicita Licença no Brasil e Amplia Disputa com OKX pelo Mercado de Criptomoedas

Bybit solicita licença ao Banco Central do Brasil e segue os passos da OKX. Entenda as novas regras e os impactos para o mercado de criptomoedas

Corretora internacional anuncia investimento de aproximadamente R$ 30 milhões para fortalecer sua operação brasileira e atender às novas exigências do Banco Central, em um movimento que pode transformar a concorrência entre as plataformas de ativos digitais.

O mercado brasileiro de criptomoedas está passando por uma transformação regulatória. A exchange internacional Bybit anunciou, em 20 de outubro de 2026, que protocolou um pedido de autorização para continuar desenvolvendo suas atividades no país dentro das novas regras estabelecidas pelo Banco Central do Brasil.

A iniciativa ocorre poucos dias depois de a OKX apresentar sua própria solicitação, ampliando o movimento de adequação das grandes plataformas internacionais ao ambiente regulatório brasileiro.

A decisão representa mais do que uma formalidade administrativa. Com a entrada em vigor de exigências específicas para empresas que oferecem serviços relacionados a ativos digitais, as corretoras precisam demonstrar capacidade financeira, estruturas adequadas de governança e mecanismos de controle de riscos.

Segundo informações divulgadas pela empresa, aproximadamente R$ 30 milhões foram destinados à integralização do capital de sua operação brasileira, como parte dos preparativos para atender às exigências regulatórias.

Por que a Bybit decidiu solicitar autorização agora?

A movimentação está diretamente relacionada ao avanço da regulamentação de criptomoedas no Brasil.

As Resoluções BCB nº 519 e 520, publicadas em novembro de 2025 e em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, estabeleceram uma estrutura regulatória específica para empresas que oferecem determinados serviços com ativos virtuais.

Pelas regras de transição, as empresas que já atuavam no mercado brasileiro precisam apresentar seus pedidos de autorização dentro do prazo estabelecido pelo regulador.

A Instrução Normativa BCB nº 704 determina que a documentação inicial dessas empresas seja apresentada até 30 de outubro de 2026, admitindo possibilidade de prorrogação individual nas condições previstas pela norma.

Portanto, o movimento da Bybit está ligado à necessidade de adequação legal, mas também pode ser interpretado como parte de uma estratégia de expansão de longo prazo.

O investimento de R$ 30 milhões e a estrutura brasileira

Além do aporte de capital informado, a Bybit reorganizou sua estrutura administrativa no país.

A operação brasileira passou a contar com profissionais dedicados às áreas financeira, jurídica, de conformidade regulatória e de gerenciamento de riscos.

Essa estrutura é relevante porque a licença para corretoras de criptomoedas depende de uma avaliação que considera não apenas o capital disponível, mas também a capacidade operacional e a confiabilidade dos mecanismos internos.

O valor anunciado de R$ 30 milhões, entretanto, não significa que a autorização esteja garantida. O Banco Central deverá avaliar a documentação e o cumprimento das condições aplicáveis.

O que muda com as novas exigências do Banco Central?

O novo modelo regulatório criou a categoria de Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), destinada às instituições que exercem atividades específicas envolvendo criptomoedas e outros ativos digitais.

A regulamentação estabelece três modalidades principais de atuação: intermediárias, custodiantes e corretoras de ativos virtuais.

Entre as obrigações previstas estão requisitos de capital, transparência nas relações com clientes, segurança operacional, controles internos e prevenção à lavagem de dinheiro.

As medidas procuram fortalecer a integridade do setor e ampliar a capacidade de supervisão das autoridades brasileiras.

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Outro ponto importante envolve o acompanhamento das operações e a prestação de informações pelas instituições reguladas.

Em setembro de 2026, o Banco Central também anunciou aperfeiçoamentos nas regras de monitoramento de operações com ativos virtuais, incluindo obrigações relacionadas à prevenção de atividades ilícitas.

OKX também aposta na expansão do mercado brasileiro

A concorrente OKX protocolou seu pedido de autorização em 16 de outubro de 2026, segundo informações divulgadas pela Exame.

A empresa pretende atuar na modalidade de corretora de ativos virtuais, abrangendo serviços de intermediação e custódia.

A plataforma também busca autorização para desenvolver operações relacionadas ao mercado de câmbio.

A estratégia demonstra como grandes empresas internacionais estão procurando adaptar seus negócios às particularidades do sistema financeiro brasileiro.

Para a Bybit, acompanhar esse movimento pode ser importante para preservar sua competitividade, consolidar relacionamentos institucionais e ampliar sua presença entre investidores brasileiros.

O que os investidores brasileiros podem ganhar?

A regulamentação poderá trazer mudanças importantes para quem utiliza exchanges na compra, venda e armazenamento de criptomoedas.

Uma das principais expectativas envolve o fortalecimento da proteção dos investidores, especialmente por meio de controles mais rigorosos sobre a administração e a custódia dos ativos dos clientes.

A supervisão regulatória também pode estimular melhorias na transparência das plataformas e na divulgação de informações sobre os serviços oferecidos.

Entretanto, existem limites importantes.

A autorização de uma corretora não elimina riscos relacionados à volatilidade dos preços, falhas tecnológicas, ataques cibernéticos ou dificuldades financeiras das instituições.

Além disso, criptomoedas não possuem, por sua natureza, a mesma cobertura do Fundo Garantidor de Créditos aplicável a determinados depósitos e produtos bancários.

Por isso, investidores devem continuar avaliando a reputação da plataforma, os mecanismos de segurança, as taxas cobradas e as condições de retirada dos recursos.

A regulamentação pode transformar a concorrência no Brasil?

A adaptação às novas exigências representa um desafio financeiro e operacional para as empresas do setor.

Corretoras com maior disponibilidade de capital podem encontrar condições mais favoráveis para realizar investimentos em tecnologia, auditoria e infraestrutura regulatória.

Em contrapartida, empresas menores poderão enfrentar dificuldades para absorver os custos relacionados às exigências legais.

Esse cenário pode estimular reorganizações empresariais, parcerias estratégicas e maior concentração de mercado.

Por outro lado, a existência de regras claras também poderá aumentar a confiança institucional no setor e incentivar novos modelos de negócios.

Essas possibilidades são perspectivas econômicas, não resultados garantidos da regulamentação.

Bybit poderá oferecer serviços bancários no futuro?

A expansão da plataforma brasileira pode não ficar limitada às negociações de criptomoedas.

Em entrevista à Exame publicada em setembro de 2026, Ben Zhou, CEO global da Bybit, revelou interesse em desenvolver uma operação mais ampla, combinando ativos digitais e serviços financeiros.

Entre as possibilidades mencionadas está a busca futura por licenças bancárias.

Entretanto, essa intenção não representa autorização concedida nem confirmação de que a empresa se tornará um banco no Brasil.

Qualquer expansão para atividades bancárias dependerá de requisitos específicos e das autorizações correspondentes.

um novo momento para as exchanges no Brasil

O pedido de autorização da Bybit, acompanhado pelo movimento da OKX, evidencia uma transformação importante no setor brasileiro de criptomoedas.

Com investimentos em capital, governança e infraestrutura, as plataformas internacionais procuram se adaptar ao novo ambiente regulatório e preservar espaço em um mercado competitivo.

Para os investidores, a principal consequência esperada é o avanço da supervisão e da transparência nas operações com ativos digitais.

Entretanto, a apresentação do pedido não significa aprovação definitiva.

Os próximos passos dependerão da análise do Banco Central, tornando o andamento das autorizações um dos acontecimentos mais relevantes para acompanhar no mercado brasileiro de criptomoedas.

A evolução desse processo poderá influenciar a estrutura competitiva das corretoras e a forma como milhões de brasileiros acessam os ativos digitais.

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