Economia Global

Terras Raras em Minas Gerais: Acordo de 70% da Produção com Grupo Europeu Fortalece Projeto Bilionário

Mineradora australiana fecha acordo com grupo europeu para fornecer 70% da produção futura de terras raras em Minas Gerais. Entenda os impactos.

Parceria entre mineradora australiana e gigante química europeia prevê fornecimento até 2034 e pode ampliar a participação brasileira no mercado global de minerais estratégicos.

O Brasil acaba de registrar um avanço importante em sua participação na cadeia internacional de minerais utilizados em tecnologias avançadas.

A australiana Viridis Mining and Minerals assinou um acordo com a Solvay para comercializar parte expressiva da futura produção do Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.

O empreendimento integra a crescente disputa internacional por materiais essenciais à fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas industriais.

A parceria ganha relevância porque aproxima os recursos minerais brasileiros da capacidade europeia de processamento e pode facilitar investimentos necessários à implantação da mina.

Como Funcionará o Acordo Entre Viridis e Solvay?

O contrato prevê o fornecimento de carbonato misto de terras raras (MREC), produto intermediário que reúne diferentes elementos químicos antes da separação industrial.

O material brasileiro será destinado à unidade da Solvay em La Rochelle, na França, especializada na separação e purificação desses elementos.

Os compromissos mínimos representam aproximadamente 70% da produção projetada durante o período inicial do acordo, com destaque para quatro elementos utilizados em ímãs de alto desempenho:

  • Neodímio: empregado em motores elétricos e equipamentos eletrônicos.
  • Praseodímio: utilizado em ligas magnéticas de alto desempenho.
  • Disprósio: importante para aumentar a resistência térmica dos ímãs.
  • Térbio: aplicado em tecnologias magnéticas especializadas.

A Solvay também possui direito de primeira oferta sobre a produção restante, mas isso não significa aquisição automática desses volumes.

Contrato Prevê Fornecimento Até 2034

A vigência inicial vai até 31 de dezembro de 2034, com possibilidade de renovação por mais cinco anos mediante acordo entre as empresas.

Os compromissos comerciais incluem mecanismos de compra mínima e proteção de preços para elementos estratégicos.

Essas condições podem reduzir a exposição da mineradora às oscilações internacionais, embora não eliminem os riscos operacionais e financeiros.

Projeto Colossus Pode Movimentar Investimentos Milionários

O empreendimento representa uma das iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de uma nova cadeia produtiva de minerais críticos.

Segundo informações divulgadas pela Reuters em setembro de 2026, o estudo definitivo de viabilidade estimou investimentos de aproximadamente US$ 449 milhões.

O estudo também projetou capacidade anual equivalente a 2.967 toneladas de óxidos de terras raras magnéticas.

Esses números são estimativas de planejamento, não resultados de uma operação comercial já estabelecida.

A Viridis ainda precisa concluir etapas de financiamento, implantação industrial e autorizações aplicáveis.

Empregos e Desenvolvimento Regional

De acordo com projeções empresariais divulgadas pela imprensa, a construção poderá gerar aproximadamente 2 mil empregos diretos.

Na fase operacional, a estimativa é de cerca de 600 postos diretos.

Também existe potencial de movimentação de atividades relacionadas a engenharia, transporte, manutenção, logística e prestação de serviços.

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A geração efetiva desses empregos dependerá da execução do projeto.

Por Que a Europa Está Interessada nas Terras Raras Brasileiras?

A procura europeia está relacionada à concentração internacional da produção e do processamento desses materiais.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a China respondeu por aproximadamente 60% da extração mundial de terras raras destinadas a ímãs em 2024 e por cerca de 91% do refino desses elementos.

Essa concentração representa um desafio para países que buscam maior segurança no abastecimento industrial.

Nesse processo, o Brasil pode se tornar um fornecedor relevante para empresas interessadas em diversificar suas cadeias produtivas.

Entretanto, possuir recursos minerais não é suficiente: competitividade também depende de tecnologia, infraestrutura, financiamento e capacidade de processamento.

Parceria Pode Trazer Tecnologia de Processamento ao Brasil

Além do contrato comercial, Viridis e Solvay discutem um instrumento específico de licenciamento tecnológico e assistência técnica.

A proposta poderá permitir a produção brasileira de carbonato refinado com maior concentração dos elementos de interesse industrial.

Isso representaria um avanço em relação à simples exportação de matérias-primas.

Contudo, a transferência tecnológica ainda não deve ser considerada integralmente implementada. Sua execução depende de entendimentos adicionais e condições técnicas e regulatórias.

Desafios Ambientais e Riscos do Empreendimento

Apesar das perspectivas econômicas, o Projeto Colossus também enfrenta desafios socioambientais.

Moradores de Poços de Caldas manifestaram preocupações relacionadas à proximidade de áreas residenciais, à proteção dos recursos hídricos e aos possíveis efeitos da mineração.

Essas preocupações exigem avaliação técnica, fiscalização e transparência, sem que representem, por si só, comprovação de danos ambientais.

A viabilidade de longo prazo dependerá do cumprimento das exigências legais, das medidas de controle ambiental e do diálogo com as comunidades envolvidas.

Uma Oportunidade Estratégica que Ainda Exige Acompanhamento

O contrato entre Viridis e Solvay representa um avanço comercial concreto para o setor brasileiro de terras raras.

O compromisso de compra de aproximadamente 70% da produção prevista aumenta a previsibilidade de demanda do Projeto Colossus e aproxima o Brasil da cadeia industrial europeia.

Entretanto, o início da mineração comercial, os investimentos, a transferência tecnológica e os resultados econômicos ainda dependem de etapas futuras.

O principal desafio será transformar essa oportunidade em produção responsável, empregos e maior participação brasileira na indústria de tecnologia avançada.

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