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Amil mira valuation bilionário e aposta em IPO após recusar gigantes do private equity

Amil mira IPO com valuation de até R$ 40 bilhões após encerrar negociações com Advent e Bain. Entenda a estratégia e os riscos dessa aposta.

Depois de dizer “não” a uma negociação que poderia chegar perto de R$ 17 bilhões, a operadora de saúde mantém o controle nas mãos de José Seripieri Júnior e alimenta uma aposta muito maior: chegar ao mercado de capitais avaliada em pelo menos R$ 40 bilhões.

Recusar uma proposta bilionária normalmente exigiria uma justificativa igualmente grande. No caso da Amil, a resposta pode estar no futuro que seu controlador enxerga para a companhia. Depois de negociações com Advent International e Bain Capital, a operadora decidiu permanecer independente, mantendo aberta apenas a possibilidade de receber um investidor minoritário.

Por trás dessa decisão existe uma expectativa ambiciosa: levar a empresa à bolsa quando as condições do mercado forem mais favoráveis e buscar uma avaliação que, segundo projeções apresentadas ao controlador, poderia alcançar pelo menos R$ 40 bilhões.

Uma negociação que foi muito além do preço

As conversas com Advent International e Bain Capital avançaram bastante, mas havia uma diferença estratégica difícil de resolver.

Os fundos de private equity buscavam uma posição de controle. Segundo informações divulgadas sobre as tratativas, havia preferência pela compra integral da empresa, embora uma participação de aproximadamente 80% também pudesse ser considerada. Para José Seripieri Júnior, conhecido como Júnior, a estrutura desejada era outra: entrada de um sócio minoritário, sem abrir mão do comando.

Reportagens sobre a negociação apontaram valores ao redor de R$ 17 bilhões para 100% da operadora. A Amil posteriormente informou aos funcionários que as conversas haviam sido encerradas e reforçou que continua aberta a propostas envolvendo participações minoritárias.

Isso muda completamente a interpretação do “não”. A discussão não era simplesmente sobre receber mais dinheiro. Tratava-se de decidir quem controlaria um dos maiores grupos do setor de planos de saúde do país.

De empresa deficitária a ativo disputado

A história recente ajuda a explicar por que Júnior pode considerar que ainda existe muito valor a ser capturado.

Quando retomou a operação brasileira da Amil em 2023, a companhia enfrentava números difíceis. Naquele ano, registrou faturamento de aproximadamente R$ 25,9 bilhões e prejuízo consolidado de R$ 4 bilhões, além de resultado operacional negativo.

A recuperação ocorreu rapidamente.

Em 2024, a empresa voltou ao lucro. Já em 2025, a receita atingiu R$ 32,3 bilhões, enquanto o resultado recorrente chegou a aproximadamente R$ 1,9 bilhão. A operação de planos também apresentou melhora de indicadores, incluindo redução da sinistralidade e crescimento das receitas.

Essa transformação torna a companhia muito diferente daquela existente poucos anos atrás e ajuda a compreender o interesse dos fundos internacionais.

IPO ou venda bilionária: por que a Amil decidiu esperar?

O possível IPO surge como uma alternativa capaz de conciliar dois objetivos: levantar recursos ou permitir liquidez aos atuais acionistas sem necessariamente entregar o controle da companhia a um único comprador.

Segundo informações publicadas pelo mercado, projeções apresentadas a Júnior consideram que a Amil poderia chegar a uma futura oferta pública avaliada em pelo menos R$ 40 bilhões. Esse número corresponderia a aproximadamente 1,2 vez a receita de R$ 32,3 bilhões registrada em 2025.

A diferença é relevante.

Uma transação perto de R$ 17 bilhões hoje representaria menos da metade dessa expectativa de valuation futuro.

Mas existe um detalhe importante: R$ 40 bilhões não são um valor garantido. Trata-se de uma projeção que depende de resultados financeiros, crescimento, redução de riscos, condições macroeconômicas e, principalmente, de uma janela favorável para novas ofertas na bolsa.

R$ 40 bilhões pela Amil: o mercado estaria disposto a pagar esse preço?

Para alcançar essa avaliação, a Amil precisaria mostrar aos investidores que sua recuperação não foi apenas pontual.

O mercado provavelmente observaria fatores como expansão das margens, geração de caixa, controle da sinistralidade, crescimento da carteira, qualidade da rede hospitalar, endividamento e capacidade de sustentar lucros crescentes.

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Existe ainda outra variável: o chamado desconto de mercado.

Mesmo empresas lucrativas podem realizar um IPO abaixo das expectativas quando juros elevados, aversão ao risco ou turbulências econômicas reduzem o apetite dos investidores. Por isso, esperar por melhores condições também faz parte da estratégia.

O que Advent e Bain enxergaram na Amil

O próprio interesse de dois grandes grupos internacionais de private equity funciona como um sinal de que o ativo passou novamente a despertar atenção.

Uma análise da XP sobre a possível operação destacou que reportagens de mercado chegaram a trabalhar com uma avaliação aproximada de dez vezes EV/EBITDA, equivalente a cerca de R$ 17 bilhões em valor da firma.

Fundos desse porte normalmente procuram empresas nas quais possam acelerar eficiência, crescimento e geração de valor para posteriormente vender o investimento ou levá-lo ao mercado de capitais.

Nesse sentido, compradores e controlador parecem ter enxergado potencial semelhante — mas discordaram sobre quem deveria capturar esse valor futuro.

O “não” que pode valer bilhões

A decisão da Amil representa uma aposta.

Ao rejeitar uma venda de controle agora, Júnior abre mão da possibilidade de cristalizar imediatamente uma valorização expressiva para tentar construir uma empresa potencialmente muito mais valiosa.

Se a recuperação continuar, os lucros crescerem e o mercado brasileiro voltar a oferecer uma janela atraente para IPOs, a diferença entre uma negociação próxima de R$ 17 bilhões e uma avaliação de R$ 40 bilhões pode transformar a recusa em uma das decisões empresariais mais relevantes do setor de saúde brasileiro nos próximos anos.

Por outro lado, condições econômicas adversas ou uma deterioração operacional poderiam reduzir essa diferença.

É justamente esse risco que torna a história interessante: a Amil não rejeitou simplesmente uma proposta bilionária. Ela escolheu apostar que seu melhor negócio ainda está por vir.

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