Kit de RAM de 256 GB custa mais que placa de vídeo topo de linha e chama atenção do mercado

Kit de memória RAM DDR5 de 256 GB chega ao mercado com preço superior ao de placas de vídeo topo de linha. Entenda o impacto da crise global de DRAM, os motivos do valor elevado e para quem esse hardware extremo realmente faz sentido.

Fabricante chinesa lança memórias DDR5 de 192 GB e 256 GB a preços extremos em meio à crise global de DRAM

O mercado de hardware de alto desempenho voltou a surpreender. Um kit de memória RAM DDR5 de 256 GB passou a custar mais do que muitas placas de vídeo topo de linha, reacendendo o debate sobre escassez, inflação tecnológica e a nova dinâmica de preços no setor de semicondutores. A responsável por esse movimento é a fabricante chinesa Asgard, conhecida por atuar no segmento entusiasta e profissional.

A empresa apresentou kits DDR5 de 192 GB e 256 GB, voltados principalmente para estações de trabalho avançadas, servidores domésticos e criadores de conteúdo que lidam com cargas massivas de dados. O impacto, no entanto, veio com o preço: em alguns mercados, o valor supera facilmente GPUs de alto desempenho usadas em jogos e aplicações gráficas.

A DDR5 já nasceu como uma evolução significativa em relação à DDR4, oferecendo maior largura de banda, melhor eficiência energética e suporte a capacidades muito superiores. Contudo, alcançar a marca de 256 GB em kits convencionais exige chips de altíssima densidade, processos produtivos complexos e um controle rigoroso de qualidade — fatores que elevam drasticamente o custo final.

No caso da Asgard, os kits são formados por múltiplos módulos de grande capacidade, com frequências elevadas e latências ajustadas para uso profissional. Não se trata de um produto para o consumidor médio, mas sim para nichos que precisam de desempenho extremo em tarefas como renderização 3D, simulações científicas, análise de big data e virtualização pesada.

O contexto global ajuda a explicar os preços estratosféricos. A indústria de DRAM enfrenta uma combinação delicada de oferta limitada, custos elevados de produção e uma demanda crescente impulsionada por inteligência artificial, data centers e computação de alto desempenho. Mesmo com ciclos de queda e alta, o segmento premium segue praticamente imune a reduções significativas.

Outro ponto relevante é a comparação direta com placas de vídeo. Enquanto GPUs topo de linha são produzidas em volumes relativamente maiores e contam com forte concorrência entre fabricantes, memórias DDR5 de altíssima capacidade ainda são raras, com poucos players capazes de entregar estabilidade e compatibilidade em níveis tão elevados.

Para o usuário comum, esse tipo de kit não traz benefícios práticos. Jogos, aplicações cotidianas e até mesmo tarefas profissionais avançadas raramente utilizam mais do que 64 GB ou 128 GB de RAM. Por isso, investir em 256 GB só faz sentido em cenários muito específicos, onde cada gigabyte adicional impacta diretamente a produtividade.

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Do ponto de vista do mercado, o lançamento serve como termômetro. Ele mostra até onde os fabricantes conseguem ir em termos de capacidade e preço, além de indicar que a memória RAM começa a ocupar um espaço de protagonismo semelhante ao que as GPUs tiveram nos últimos anos.

Há também um fator psicológico e de marketing. Produtos extremos ajudam a fortalecer a marca no segmento entusiasta, mesmo que as vendas sejam limitadas. A presença de kits DDR5 tão caros cria um efeito vitrine, destacando inovação e domínio tecnológico.

Para investidores e analistas, o movimento reforça a percepção de que o setor de semicondutores seguirá volátil. A crise global de DRAM não afeta apenas grandes data centers, mas também chega ao consumidor final por meio de produtos premium com preços fora da curva.

Em síntese, o kit de 256 GB de memória RAM DDR5 mais caro que uma placa de vídeo não é apenas uma curiosidade. Ele simboliza uma nova fase do mercado de hardware, onde capacidade, especialização e escassez ditam as regras, e onde o desempenho extremo tem um preço cada vez mais alto.

Para quem acompanha tecnologia de perto, esse lançamento deixa claro: no topo do PC de alto desempenho, a memória já não é mais um simples componente auxiliar, mas um dos itens mais valiosos de toda a configuração.

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